DOMINGO DIA DO SENHOR: XXXI DO TEMPO COMUM

P L Sb 11, 22, 2,2; Sl 144(145), 1 - 2. 8 – 9. 10 – 11. 13 – 14 (R/.2) 1 - 2. 8 – 9. 10 – 11. 13 – 14 (R/.2)

Lucas 19, 1 – 10
INVOCAÇÕES Espírito de Cristo, santificai-me. Coração de Cristo, vivificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Nas VOSSAS chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de vós. Do inimigo maligno defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me, ir para vós, Para que vos louve com vossos Santos. Por todos os séculos dos séculos. Amem.


Hoje é domingo, 31 de outubro de 2010

Tema do Dia

O FILHO DO HOMEM VEIO PROCURAR E SALVA O QUE ESTAVA PERDIDO!

XXXI DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio - II semana do saltério)

Primeira Leitura
Leio cuidadosamente a Palavra de Deus indicada pela Igreja,
que me ajudará a viver como verdadeiro cristão.

Leitura do livro da Sabedoria - Naqueles dias, 22 O mundo inteiro diante de ti é como grão de areia na balança, como gota de orvalho matutino caindo sobre a terra. 23 Todavia, tu tens compaixão de todos, porque podes tudo, e não levas em conta os pecados dos homens, para que eles se arrependam. 24 Tu amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que criaste. Se odiasses alguma coisa, não a terias criado. 25 De que modo poderia alguma coisa subsistir, se tu não a quisesses? Como se poderia conservar alguma coisa se tu não a tivesses chamado à existência? 26 Tu, porém, poupas todas as coisas, porque todas pertencem a ti, Senhor, o amigo da vida. 1 O teu espírito incorruptível está em todas as coisas. 2 Por isso, castigas com brandura os que erram. Tu os admoestas, fazendo-os lembrar os pecados que cometeram, para que, afastando-se da maldade, acreditem em ti, Senhor. - Palavra do Senhor. Graças a Deus!
Sabedoria 11, 22 - 12, 2

Meu encontro com Deus
Minha expressão de louvor e gratidão ao Pai pelo dia de hoje.

Salmo responsorial: 144(145), 1 - 2. 8 – 9. 10 – 11. 13 – 14 (R/.2)
REFRÃO: Bendirei eternamente vosso nome; para sempre, ó Senhor, o louvarei!

1. Ó meu Deus, quero exaltarvos, ó meu rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. -R.

2. Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura. -R.

3. Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos, com louvores, vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder! -R.

4. O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou. -R.

Penso na existência de Deus, um Deus de amor, sempre aqui, presente. Em profundo silêncio interior, coloco-me na presença de Deus e deixo-me ser conduzido neste momento diário de oração.

Hoje eu vou experimentar e viver a ciência em minha vida!

Ó Espírito Santo, concedei-me o dom da Ciência, para que conheça cada vez mais minha própria miséria e fraqueza, a beleza da virtude, o valor inestimável da alma e ver claramente a sua luz, que me indicará o caminho a seguir.

Segunda leitura:
Leio cuidadosamente a Palavra de Deus indicada pela Igreja,
que me ajudará a viver como verdadeiro cristão.

Leitura da segunda carta de São Paulo aos Tessalonicenses - 11 É também por isso que rezamos continuamente por vocês, a fim de que o nosso Deus os torne dignos do chamado que lhes dirigiu. Rezamos também para que Deus, com seu poder, os faça realizar todo bem que desejam e dinamize o trabalho da fé que vocês têm. 12 Desse modo, o nome do Senhor Jesus será glorificado em vocês e vocês também serão glorificados nele, conforme a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. 1 Agora, irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e ao nosso encontro com ele, pedimos a vocês o seguinte: 2 não se deixem perturbar tão facilmente! Nem se assustem, como se o Dia do Senhor estivesse para chegar logo, mesmo que isso esteja sendo veiculado por alguma suposta inspiração, palavra, ou carta atribuída a nós. -Palavra do Senhor. Graças a Deus!

1 - 2. 8 – 9. 10 – 11. 13 – 14 (R/.2)


Pela verdadeira fé que nos foi revelada, tornamo-nos verdadeiramente livres e herdeiros da promessa; por isso, não há motivo para desunião entre nós.

O evangelho do Dia
Quero estar atento e ouvir o que Deus tem a dizer através do evangelho.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas Naquele tempo, 1 Jesus tinha entrado em Jericó, e estava atravessando a cidade. 2 Havia aí um homem chamado Zaqueu: era chefe dos cobradores de impostos, e muito rico. 3 Zaqueu desejava ver quem era Jesus, mas não o conseguia, por causa da multidão, pois ele era muito baixo. 4 Então correu na frente, e subiu numa figueira para ver, pois Jesus devia passar por aí. 5 Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima, e disse: «Desça depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa.» 6 Ele desceu rapidamente, e recebeu Jesus com alegria. 7 Vendo isso, todos começaram a criticar, dizendo: «Ele foi se hospedar na casa de um pecador!» 8 Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: «A metade dos meus bens, Senhor, eu dou aos pobres; e, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais.» 9 Jesus lhe disse: «Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10 De fato, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.» PALAVRA DA SALVAÇÃO! GLÓRIA A VOZ SENHOR.
Lucas 19, 1 – 10

No silêncio do meu coração, o que Deus quer me dizer? Escuto, medito e permaneço inspirado(a) por sua mensagem ao longo deste dia.

Reflexão

O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido
A primeira leitura é uma bela oração meditativa sobre Deus, que nos possibilita fazer algumas reflexões.

Costumamos falar e escutar falar sobre Deus como algo já sabido, como algo que, por definição, não há necessidade de repensar. Isto começou a mudar, quando da “crise de Deus” (Gotteskreise, Juan Bautista Metz), crise que já ninguém considera conjutural ou passageira, mas epocal.

Algo muito profundo está mundo na cultura e na consciência humana, que faz com que esse conceito central que teve luz própria no centro do firmamento mental da humanidade durante os últimos milênios, o de Deus, se torne opaco e entre o que Martim Buber chamou de “eclipse de Deus”.

A leitura de hoje, do livro da sabedoria, fala muito corretamente de Deus e não o apresenta com nenhum dos traços eticamente inadequados, dos que temos tido que purificar tantas vezes a imagem de Deus. Não; este texto apresenta uma bela e impecável imagem de Deus sem deixar de utilizar uma linguagem “teista”.

A palavra “Deus” vem do deus latino, que por sua vez vem do theos grego. Ainda que o conceito tenha origens mais antigas, para nossa cultura ocidental foram eles, os filósofos gregos, os que o configuraram definitivamente. Sempre que dizemos deus estamos evocando o theos grego.

Não importa que às vezes queiramos matizar a palavra, pois ela está ocupada, e seu conceito associado está registrado no subconsciente coletivo, como um tipo de divindade que está “aí fora, aí em cima”, em uma espécie de segundo andar celestial, a partir de onde pode intervir em nosso mundo, para revelar-se, para agir, para reagir em função de sua maneira de ser, concebido muito antropomorficamente (os deuses pensam, amam, decidem, se ofendem, se arrependem assim como nós, que no final das contas, seríamos feitos “à sua imagem e semelhança” – e vice-versa?).

Conceber a razão e o mistério supremos da Realidade em forma de theos (em sentido genérico), isso é o que chamamos de “teísmo”. É um “modelo” de representação do Mistério, o mesmo que chamamos de Deus. Com muita freqüência esse “modelo” conceitual se tornou transparente e não temos sido conscientes de sua mediação.

Parece-nos como que nosso falar de Deus evocava automaticamente sua descrição direta, em vez de cair na conta de que simplesmente utilizávamos um modelo (theos), e que ao Mistério que denominávamos com esse nome, pode ser concebido com outros modelos sumamente diferentes.

Poderíamos, efetivamente, pensar – e amar – não teisticamente. Há religiões não teistas. O judeu-cristianismo teve uma exposição teista constante na história, porém hoje sabemos que ainda que o modelo teísta nos tenha acompanhado de modo permanente, não é essencial nem absolutamente inseparável.

Mais ainda. A evolução da espiritualidade – sem descartar o influxo de outras religiões – faz sentir a muitos cristãos um não dissimulado mal estar diante do uso e abuso do teísmo em nossa tradição. São cada vez mais os que advogam por colocar o teísmo em seu lugar, em uma consideração simplesmente mediacional: é uma mediação, com suas vantagens e suas dificuldades.

As dificuldades não são poucas, e são crescentes em nossa sociedade de mentalidade crítica; não faltam teólogos que postulam sua superação. A alternativa ao teísmo não é o ateísmo, obviamente, e sim o pós-teísmo: uma consideração e uma (não-) representação da Divindade para além do modelo do teísmo.

No evangelho de hoje, Jesus nos ensina que o Pai – Deus não deixa de ser o mesmo, sempre compassivo e sempre disposto a perdoar, amigo da vida, sempre saindo ao encontro de seus filhos e construindo com eles uma relação nova de amor.

As leituras deste domingo são uma preciosa descrição deste comportamento de Deus a respeito da pessoa humana. Dizem que Deus ama com entranhas de misericórdia tudo que existe, porque seu alento de vida está em todas as coisas.

O episódio da conversão de Zaqueu se encontra no itinerário ou “caminho”de Jesus a Jerusalém e somente o encontramos narrado pelo evangelho de Lucas. Nele se manifesta,uma vez mais, algumas características mais destacadas de sua teologia: a misericórdia de Deus para com os pecadores, a necessidade do arrependimento a exigência de renunciar aos bens, o interesse de Jesus por resgatar o que está “perdido”.

Este evangelho é uma ocasião excelente para recordar que estes são os temas que se destacam no material particular de tradição lucana e que ressaltam a predileção de Jesus pelos pobres, marginalizados e excluídos.

O relato nos mostra a pedagogia de Deus, na pessoa de Jesus, para com aqueles que agem mal. Deus é paciente e compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia, corrige lentamente, respeita os ritmos e sempre busca a vida e a reconciliação. Nesse sentido, Deus é definido como “o amigo da vida”, e buscando esta sua autentica glória, vai em busca do pecador e o corrige, oferecendo-lhe o amor que o salva.

Certamente nós, por nossa incapacidade de acolher e perdoar, não teríamos considerado Zaqueu como um filho bem-aventurado de Deus, como não o consideraram seus concidadãos, que murmuraram contra Jesus dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um homem “pecador”. Decididamente Jesus e seus coetâneos acreditavam em um Deus diferente.

Porém, pensavam isso também de forma diferente. Para o judaísmo da época o perdão era questão de ritos de purificação feitos no templo com a mediação do sacerdote, era um puro cumprimento; para Jesus, a oferta do perdão se realiza por meio do Filho do homem, já não no tempo, mas em qualquer casa, e com esse perdão se oferece também a libertação total do que oprime o ser humano.

Por isso, a atitude de Jesus é surpreendente, sai ao encontro de Zaqueu e lhe oferece seu amor: olha-o, fala-lhe, deseja hospedar-se em sua casa, quer partilhar sua própria miséria e seu pecado (roubo, fraude, corrupção) e ser acolhido em sua liberdade para a conversão.

A atitude de Jesus é a que produz a conversão que se realiza na liberdade. Tudo que se passa com Zaqueu é fruto do amor de Deus que age em seu filho Jesus, é manifestação da misericórdia e da compaixão de Deus que perdoa e dá força para mudar. Desta maneira a vida se reconstitui e é possível ser liberto de todas as amarras que escravizam, pode entregar tudo, sem medo e sem restrições.

Com esta atitude, Zaqueu se constitui em modelo de discípulo missionário, porque nos mostra de que maneira a conversão influi em nossa relação com os bens materiais; e em segundo lugar, nos lembra as exigências de seguir Jesus até o fim. Aqui a salvação, que chega na pessoa de Jesus, realiza uma mudança radical de vida.

Não duvidemos que Jesus está nos chamando também a nós para a conversão, convida-nos a que mudemos radicalmente nossa vida. Não precisamos negar, não sejamos um empecilho para isso. O Senhor nos propõe uma união com ele, ser seus discípulos missionário e, a exemplo de Zaqueu, ser capazes de um despojamento de tudo que não nos permite viver autenticamente como cristãos.

Esta mesma experiência é a de muitas outras testemunhas de Jesus que, contemplados por ele, se converteram, viram sua dignidade renascida, e a recuperação da vida. Aceitemos o olhar de Jesus, deixemos que ele se encontre conosco pelo caminho e o convidemos para visitar nossa casa para que ele possa curar nossas feridas e reconfortar nosso coração.

Não tenhamos medo, deixemo-nos seduzir pelo Senhor, pelo mestre, para confessar nossas mentiras, arrepender-nos, expressar nossa necessidade de ser justos. O Senhor está conosco para que experimentemos seu amor. Ele já nos perdoou, por isso é possível a conversão.

O caso de Zaqueu pode ser iluminador para o tema da opção pelos pobres. Foi na polemica oficial contra esta opção que surgiu à luz a teologia e a espiritualidade latinoamericanas, daí a insistência de que não poderia tratar-se senão de uma opção “preferencial”, não de uma “opção pelos pobres” sem mais, porque sem aquele adjetivo poderia entender-se como uma opção “exclusiva ou excludente”.

Porém, o adjetivo “preferencial” rebaixa e dilui a essência da opção pelos pobres, porque quem opta pelos pobres preferencialmente, entende-se que opte também pelos ricos, ainda que seja menos preferencialmente. Uma opção preferencial é uma opção que não é total, que não toma partido, que “fica em cima do muro”.

Jesus opta pelos pobres, olha a vida a partir de sua ótica, é um dos pobres e partilha com eles sua causa. Evidentemente, não exclui as pessoas ricas, e esse é o caso de Zaqueu. Porém, Jesus não é neutro em relação ao tema da riqueza-pobreza.

Seu encontro com Zaqueu não o deixa indiferente: Jesus o desafia a pronunciar-se, inclusive economicamente. Jesus não exclui Zaqueu nem a nenhuma outra pessoa rica, porém “sim exclui o modo de vida dos ricos”, exigindo deles a justiça e o amor.

A opção pelos pobres não exclui nenhuma pessoa (ao contrário, desejaria alcançar e mudar a todos os que não assumem a causa dos pobres!). O que exclui é a forma de vida dos ricos, a opressão e a injustiça. Bom tema este para enfocar a homilia sobre a opção pelos pobres.



Oração Final

Pai Santo, que nos criaste por Amor e para o Amor, ensina-nos a amar do jeito como Jesus amou: amor espontâneo, indiscriminado, gratuito e libertador. Seremos, assim, dissípulos missionários os profetas do Teu Reino, já implantado neste mundo, embora ainda não em; plenitude. Por Jesus, Teu Filho e nosso Irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém...



Repouse ó Santo Espírito em minha alma,

e conduze-me com o fogo do vosso amor!